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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Olhando através de você

Ramtha através de J. Z. Knight

Durante eras vocês aprenderam que Deus está fora do seu domínio, em algum lugar nas profundezas do espaço. Muitos de vocês têm acreditado nisso e aceitado isso como uma verdade.

Porém, Deus, a causa principal de toda vida, nunca esteve fora de vocês - ele é vocês.
Ele é o maravilhoso processo de pensar, a inteligência suprema que jaz silenciosa e sempre presente no interior do homem.

Foi-lhes ensinado que vocês nasceram apenas para viver em um momento do tempo, para envelhecer e então morrer. Por acreditarem que era verdade, isso realmente se tornou a realidade de sua vida sobre este plano.
Mas eu estou aqui para ajudá-los a perceber que, na verdade, vocês são uma essência contínua e imortal que tem vivido há bilhões de anos - desde que Deus, seu amado Pai, a totalidade do pensamento, contemplou a si mesmo no brilho da luz, que cada um de vocês se tornou.

Foi quando cada um de vocês veio a ser único, soberano e uma parte eterna da Mente de Deus.
Foi-lhes ensinado que Deus é uma entidade singular que, com suas mãos, fez o céu e a terra e, então, criou a criatura viva chamada homem.
Mas são vocês, os possuidores da inteligência divina e do livre-arbítrio, que são os grandes criadores de toda a vida.

São vocês que criaram o sol da manhã, o céu da tarde e o encanto de todas as coisas que existem.
São vocês que, na verdade, criaram a criatura notável chamada homem de modo que vocês, que eram luzes brilhantes no vazio do espaço, pudessem experienciar toda a maravilha de suas formas criadas.

Meus amados irmãos, a compreensão de quem é cada um de vocês constitui na verdade uma série de ilusões que vocês têm vivido por milhares de anos.
Vocês são mais do que meramente humanos.
São muito, muito maiores do que a criatura limitada chamada homem.

Vocês são Deus.
Vocês sempre foram; sempre serão.
São os grandes criadores imortais que têm vivido aqui, vida após vida, para atingir essa grande compreensão que vocês permitiram que lhes fosse tirada (esquecida).

Todos vocês são o próprio Deus criado de si mesmo.
Vocês são deuses criados por Deus, primeira e única criação direta da Fonte de toda a vida.

Em suas aventuras na exploração da vida, vocês integraram sua suprema inteligência com a matéria celular para tornarem-se Deus-homem: a Mente de Deus expressando-se na forma chamada humanidade; Deus vivendo no maravilhamento de sua própria criação, denominada homem.
Homens, mulheres, humanidade, são na verdade Deus, esplendidamente disfarçados de entidades limitadas e infelizes.

Quem é você? Por que está aqui?
Qual o seu propósito e seu destino? Você pensa que você é meramente fruto da coincidência, nascido para viver um punhado de tempo e depois não existir mais ? Realmente ?

O que faz você pensar que não viveu antes? Por que agora? E por que você?
Você viveu sobre este plano milhares de vidas e você veio e foi como um vento instável.
Você viveu cada rosto, cada cor, cada credo, cada religião. Você guerreou e guerrearam com você. Você foi rei e servo. Foi marinheiro e capitão. Foi conquistador e conquistado.

Você foi tudo que existe em todas as suas compreensões históricas. Por quê? Para o propósito do sentimento, para o propósito da sabedoria, para o propósito de identificar o maior mistério de todos os tempos - você!
De onde você pensa que veio? Pensa que é simplesmente um amontoado desprezível de massa celular que evoluiu a partir de uma única célula?

Então quem é que escuta tão atentamente por detrás de seus olhos? Qual é a essência que lhe dá sua unicidade e personalidade, seu caráter e seu "tempero", sua capacidade para amar, para abraçar, para ter esperança, para sonhar, e o poder de criar?

E onde você acumula toda a inteligência, todo o conhecimento, toda a sabedoria que manifesta, mesmo quando é uma criancinha? Você pensa que se tornou o que é foi meramente em uma vida, e que é apenas um sopro na eternidade?

Tudo o que você é, você se tornou na vastidão do tempo ao viver vida após vida. E de cada uma dessas experiências de vida, você conquistou a sabedoria que ajudou a formular a unicidade e a beleza chamada você.

Você não tem preço, é belo demais para ter sido criado por apenas em um momento delimitado na eternidade do tempo.

Você pensa que seus pais o criaram? Eles são seus pais genéticos, porém não criaram você. Numa compreensão mais ampla, eles são seus irmãos amados - e você é na verdade tão velho quanto eles, pois todas as entidades foram criadas no mesmo momento.

Todas nasceram quando Deus, o grande e magnífico pensamento, contemplou e expandiu a si mesmo na resplandecência da luz. Foi aí que você veio a existir; foi quando você nasceu.
Seu verdadeiro pai é Deus, o Princípio Mãe-Pai de toda vida.

Você pensa que seu corpo é você? Não é. Seu corpo é apenas um disfarce que representa a essência invisível que é sua verdadeira identidade: a série de sentimentos-atitudes, chamada seu ser-personalidade, que está dentro de sua incorporação.

Pondere isso por um momento, o que você ama em outra entidade? É o corpo? Não, não é. É a essência do outro que você ama, o ser-personalidade invisível que jaz por detrás dos olhos.
O que você ama no outro é a essência invisível que faz o corpo funcionar - que faz os olhos cintilarem, que torna a voz melodiosa, que faz o cabelo brilhar e as mãos terem tato.

Seu corpo é na verdade uma máquina maravilhosa e refinada, mas não é nada sem aquilo que o faz funcionar, que é você.

O que você é não é sua corporificação, mas uma série de pensamentos ou sentimentos-atitudes que se apresentam como um ser-personalidade único.
E você alguma vez já viu seus pensamentos? Você já viu sua personalidade? E quanto ao seu riso - você pode ouvi-lo sem seu corpo?

Você não concebe quão grande você realmente é, porque o que você é realmente é tão invisível quanto o vento. Do mesmo modo que eu sou um enigma para você, você o é para si mesmo - o maior de todos os enigmas.

Você sabe o que é, sem seu fingimento? Sem as máscaras que usa? Sem sua armadura de coração endurecido? No âmago do seu ser, você é na verdade Deus. Deus, o grande mistério da humanidade, nunca esteve fora de você.
Pois o que está por detrás de seus olhos, por baixo de sua fina roupa de linho, para além da ilusão de sua face, é a virtude invisível do pensamento chamada Deus: o ser-personalidade que faz você ser você.

O Deus dentro de você é a inteligência sublime que lhe dá crédito e poder de criar. É a maravilhosa força-vida que mantém sua vida para sempre e sempre e sempre.
O corpo que você habita é uma criação magnífica de Deus - você e seus irmãos amados. Ele foi criado de maneira tal que você, uma essência invisível de pensamento e emoção, pudesse interagir com a vida que você criou sobre este plano.

A criatura chamada homem foi criada simplesmente como um veículo através do qual Deus pudesse expressar-se - de tal modo que, através dos sentidos da incorporação, todas as criações sobre este plano pudessem ser experienciadas e compreendidas pelos deuses que as criaram no princípio.

O corpo foi criado para abrigar um sistema elétrico de variáveis de luz extremamente complexo que constituem o verdadeiro ser-entidade.

O que você realmente é não é o tamanho de seu corpo. Você é uma pequena centelha de luz! Na pequenez de seu ser está coletado tudo que você já foi desde que nasceu de Deus, seu Pai amado.
Você, o princípio-Deus, não é uma entidade de carne e osso. Você é uma energia de princípio de luz circular, chamejante e pura vivendo dentro de um corpo para obter o presente da vida criativa chamado emoção.

O que você verdadeiramente é, é aquilo que você habita; é o que você sente. Você é conhecido por suas emoções, não por seu corpo. O que você é realmente, é espírito e alma, uma entidade de luz e uma entidade emocional combinadas.

Seu espírito - esse pequeno ponto de luz envolve todas as estruturas moleculares de corpo; portanto, ele abriga e suporta a massa de sua corporificação. Sua alma jaz dentro da ti, próxima de seu coração, numa cavidade sob um escudo de ossos onde nada existe exceto energia elétrica.

Sua alma grava e armazena - sob a forma de emoção - cada pensamento que você já formulou. É devido à coletividade única de emoções armazenadas dentro de sua alma que você tem um ego-identidade ou ser-personalidade único.

O corpo que você habita é simplesmente uma carruagem, um veículo escolhido e refinado que lhe permite viver e brincar sobre o plano da matéria.
Todavia, através de seu veículo você imergiu na ilusão de que seu corpo é quem você é.

Ele não é. Assim como Deus não tem imagem, você também não tem.

Luz de Gaia - http://www.luzdegaia.org/outros/diversos/olhando_atraves_de_voce.htm

Nave Mãe - http://navecomando.blogspot.com/

domingo, 2 de janeiro de 2011

Espelhos da alma

Por Letícia Thompson

Como expectadores da vida alheia, julgamos diariamente os gestos e atitudes do nosso próximo. Quem diz que nunca julga, não é honesto consigo mesmo. Quando fazemos um comentário, qualquer que seja, estamos julgando. Cada vez que exprimimos uma opinião pessoal sobre alguma coisa, fato ou alguém, estabelecemos um julgamento, justo ou injusto. E quando somos nós o centro da platéia, pedimos clemência, tolerância, imploramos interiormente para que se coloquem no nosso lugar e tentem entender nossas ações ou reações.

Colocar-se no lugar do outro para entendê-lo, seria entrar no seu coração e alma, sentir suas emoções, vestir sua pele. Impossível. Cada um de nós é único e mesmo aquelas pessoas que mais amamos não nos transferem suas dores tais e quais. Sentimos sim, quando sofrem, mas por nós, porque nossa própria alma se entristece.

Deveríamos, todos, possuir um espelho da alma, para que pudéssemos nos olhar interiormente antes de julgarmos outras pessoas. Sentiríamos, provavelmente, vergonha dos nossos pensamentos. Por que nosso próximo é tao exposto às imperfeições, falhas, pecados, más ou boas decisões, quanto nós. Se houvesse uma câmera capaz de revelar aos outros nossos pensamentos diários, iríamos estar sempre fugindo dela. Por quê? Porque ante a possibilidade de que seja revelado nosso eu, seríamos muito mais honestos conosco. Isso nos tornaria, talvez, mais tolerantes e mais humildes.

Quando alguém sofre porque está atravessando por um caminho pedregoso, dói nessa pessoa não somente a passagem por esse caminho, mas também o olhar dos outros, que condenam sem piedade, as línguas que ferem mais profundamente que facas e punhais.

As pessoas que esquecem facilmente que tiveram um passado que, mesmo se correto, nunca foi um lago de água transparente, porque puras, só as criancinhas. E ninguém pode dizer o que virá amanhã, se houver amanhã.

Ninguém está ao abrigo das chuvas repentinas da vida, das torrentes que podem levar tudo, dos males que podem atingir o corpo, às vezes a mente. Apenas um minuto e tudo pode se transformar.

Então... melhor exercer a tolerância, a bondade, a compaixão, antes de julgarmos se outros estão certos ou errados, se têm ou não razão.

E quando a tentação for grande de olhar o que se passa com outros, bom mesmo é se lembrar do espelho que deveria retratar nossa imagem interior que pediria, certamente, compreensão.

E como não sabemos o que o amanhã nos reserva, vivamos o dia de hoje com sabedoria, coração amoroso para com o próximo e olhar voltado para o Alto.

Fonte: Jonas Abramelin's Blog

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Vem. Conversemos através da alma.


Por Rumi

Vem.
Conversemos através da alma.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.
Sem exibir os dentes,
Sorri comigo, como um botão de rosa.
Entendamo-nos pelos pensamentos,
Sem língua, sem lábios.
Sem abrir a boca,
Contemo-nos todos os segredos do mundo,
Como faria o intelecto divino.
Fujamos dos incrédulos
Que só são capazes de entender
Se escutam palavras e vêem rostos.
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que somos todos um,
Falemos desse outro modo.
Como podes dizer à tua mão: "toca",
Se todas as mãos são uma?
Vem, conversemos assim.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.
Fechemos, pois, a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.

sábado, 13 de novembro de 2010

Música: alimento para a alma ( o que você anda "ingerindo"?)






Visto o que nos encontramos neste estado degradado de imperfeição moral, será melhor sermos práticos, harmonizarmos nossa música e, pelo mesmo processo, começarmos a compor uma nova e melhor forma de arte. Uma arte de acentuada sublimidade poderá, por si só, levar-nos de volta aos céus."
(Bach)

"Sinto-me obrigado a deixar transbordar de todos os lados as ondas de harmonia provenientes do foco da inspiração. Procuro acompanhá-las e delas me apodero apaixonadamente; de novo me escapam e desaparecem entre a multidão de distrações que me cercam. Daí a pouco, torno a apreender com ardor a inspiração; arrebatado, vou multiplicando todas as modulações, e venho por fim a me apropriar do primeiro pensamento musical. Tenho necessidade de viver só comigo mesmo. Sinto que Deus e os anjos estão mais próximos de mim, na minha arte, do que os outros. Entro em comunhão com eles, e sem temor. A música é o único acesso espiritual nas esferas superiores da inteligência."
(Beethoven)

Rossini fala a Kardec sobre a música espírita

Em contatos com Allan Kardec, nas reuniões da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o espírito do músico e compositor clássico Gioachino Rossini, por solicitação do codificador, falou sobre alguns aspectos espirituais da música e sua influência no comportamento espiritual do homem.

Rossini fora um músico extremamente bem sucedido, tendo recebido do rei de França os cargos de Primeiro Compositor do Rei e Inspetor Geral de Canto, recebendo um salário invejável. Esbanjou talento - foi contratado exclusivo do Teatro de Milão durante vinte anos, autor de 30 óperas, reconhecido como a "personalidade mais brilhante que jamais dourou as páginas do livro musical do mundo contemporâneo".

Mas, no além, diante da solicitação de Allan Kardec, ele se julga incapacitado para discorrer a respeito da finalidade transcendente da música, prometendo estudar o assunto, lá, nos domínios espirituais para, numa outra oportunidade, voltar a falar aos membros da Sociedade.

Lembra Rossini ao codificador do espiritismo que a embriaguez do êxito, a complacência dos amigos e as lisonjas dos cortejadores muitas vezes lhe tiraram o meio de reconhecer suas fraquezas morais, turvando-lhe o discernimento sobre a sublime finalidade da arte musical.

Numa posterior comunicação ele volta para expor suas novas idéias. Começa redefinindo o conceito de harmonia, comparando-a com a luz. Assim ele se expressa: "Fora do mundo material, isto é, fora das causas tangíveis, a luz e a harmonia são de essência divina. A posse de uma e outra está na razão dos esforços empregados para adquiri-las, elas que são duas sublimes alegrias da alma, filhas de Deus e, portanto, irmãs", querendo dizer com isso que um refinado executante ou ouvinte de música, do ponto de vista espiritual, é alguém que conquistou algo de luz e harmonia em si mesmo.

A harmonia é um sentido íntimo da alma

O espírito de Rossini inicia sua mensagem propondo um novo conceito sobre a expressão HARMONIA, comparando-a com a luz. Para ele, ambas são uma espécie de sentidos íntimos da alma, estados transcendentes do ser. Explica que a alma é apta a perceber a harmonia, mesmo sem o auxílio de qualquer instrumentação, como é apta a perceber a luz sem o concurso das combinações materiais.

"Quanto mais desenvolvidos são esses sentidos íntimos da alma, tanto melhor percebe ela a luz e a própria harmonia", ensina.

As diferentes harmonias do espaço

O espírito do grande maestro se diz espantado ao contemplar as diferentes harmonias do espaço. Diz serem constituídas por inúmeros e diferentes graus, conhecidos e desconhecidos, dispersos e ocultos no éter infinito. Essas diferentes harmonias, percebidas separadamente, constituem a harmonia particular de cada grau.

Explica que, nos graus inferiores, essas harmonias são elementares e grosseiras. Nos graus superiores, levam ao êxtase. Revela que "quando é dado ao espírito inferior deleitar-se com os encantos das harmonias superiores, o êxtase o arrebata e a prece lhe penetra o íntimo". Informa que a música é um tipo de "encantamento que o transporta às elevadas esferas do mundo moral". Imerso nas vibrações de uma música superior, o espírito então "entra a viver uma vida superior à sua e assim deseja continuar a viver para sempre". Contudo, cessada a harmonia que o penetra, "ele desperta para a realidade da sua situação e, dos lamentos que lhe escapam por haver descido, nasce-lhe o desejo de adquirir forças para de novo elevar-se - e aí tem ele um grande motivo de emulação".

Concluímos, portanto, que a música superior contribui para a elevação espiritual do ouvinte - ou do executante - quando dela sabe-se tirar bom proveito.

O espírito do músico atua sobre o fluido universal (ou energia cósmica) através de seu sentimento

O maestro Rossini ressalta que o espírito produz os sons que é capaz de saber e não consegue querer o que não sabe. "Assim, aquele que compreende muito, que tem em si a harmonia, que se acha dela saturado, que goza do seu sentido íntimo, desse nada impalpável, dessa abstração que é a concepção da harmonia, atua quando quer sobre o fluido universal que, instrumento fiel, reproduz o que ele concebe e deseja. O éter vibra sob a ação da vontade do espírito. A harmonia que o espírito traz em si concretiza-se, por assim dizer, evola-se, doce e suave, como o perfume da violeta, ou ruge como a tempestade, ou estala como o raio, ou solta queixumes como a brisa. É rápida como o relâmpago, ou lenta como a neblina; tem os despedaçamentos de um soluço, ou é contínua como a relva; é precipitada qual catarata, ou calma como um lago; murmura como um regato, ou ronca como uma torrente. Ora apresenta a rudeza agreste das montanhas, ora a frescura de um oásis; é alternativamente triste e melancólica como a noite, leda e jovial como o dia; caprichosa como a criança, consoladora como uma paixão, límpida como o amor e grandiosa como a Natureza. Quando chega a este último terreno, confunde-se com a prece, glorifica a Deus e leva ao arroubamento aquele mesmo que a produz, ou a concebe", esclarece poeticamente o maestro.

Ele explica que o sentimento da harmonia é como o espírito que tem a riqueza intelectual: um e outro possuem constantemente da propriedade inalienável que conquistaram pelo esforço esforço.

"Pela música, o espírito faz ressoar no éter a harmonia que traz em si", define o maestro.

Assim como o espírito inteligente, que ensina a sua ciência aos que ignoram, experimenta a ventura de ensinar, porque sabe que torna felizes aqueles a quem instrui, também o espírito que faz ressoar no éter os acordes da harmonia que traz em si experimenta a felicidade de ver satisfeitos os que o escutam.

Para ele, "a harmonia, a ciência e a virtude são as três grande concepções do espírito: a primeira o arrebata, a segunda o esclarece, a terceira o eleva. Possuídas em toda a plenitude, elas se confundem e constituem a pureza".

A música é o médium da harmonia

Explica o maestro que "o compositor que concebe a harmonia a traduz na grosseira linguagem chamada música, concretiza a sua idéia e a escreve e, embora desvirtuada pelos agentes da instrumentação e da percepção, a música sempre causa impressões nos que a ouvem traduzida. Essas sensações são a harmonia. A música as produz. As sensações são efeito da música. Esta é posta a serviço do sentimento para ocasionar a sensação. O sentimento, na composição, é a harmonia; a sensação. No ouvinte, é também a harmonia, com a diferença de que é concebida por um e recebida pelo outro. A música é o médium da harmonia. Ela a recebe e a dá, como o refletor é o médium da luz, como tu és o médium dos espíritos. É concebida pela alma e transmitida à alma".

Os sentimentos da música

Extraordinária diferença há na concepção e apreciação da música entre homens e espíritos: enquanto na terra tudo é grosseiro, os espíritos, contudo, possuem a percepção direta.

"É possível expor os fatos que os sentimentos íntimos provocam, defini-los, descrevê-los, mas, os sentimentos, esses se conservam inexplicados. A música pode provocar sentimentos diferentes em cada pessoa porque as mesmas causas geram efeitos contrários. Em física isto não existe, mas em metafísica existe. Existe, porque o sentimento é propriedade da alma e as almas diferem de sensibilidade entre si, de impressionabilidade, de liberdade. A música, que é a causa segunda da harmonia percebida, penetra e transporta a um, deixando frio e indiferente a outro. É que o primeiro se acha em estado de receber a impressão que a harmonia produz, ao passo que o segundo se acha em estado oposto: ele ouve o ar que vibra, mas não compreende a idéia que lhe traz. Este chega a entediar-se e a adormecer, enquanto que aquele outro se entusiasma e chora. Evidentemente, o homem que goza as delícias da harmonia é muito mais elevado, mais depurado, do que aquele em quem ela não logra penetrar. Sua alma, mais apta a sentir, desprende-se mais facilmente e a harmonia lhe auxilia o desprendimento, transporta-a e lhe permite ver melhor o mundo moral. Deve-se concluir daí que a música é essencialmente moralizadora, uma vez que traz a harmonia às almas e que a harmonia as eleva e engrandece".

A música exerce influência sobre a alma e seu progresso

O grande músico traz a Allan Kardec um interessante conceito sobre o poder espiritualizador da música: "A harmonia (expressa pela música) coloca a alma sob o poder de um sentimento que a desmaterializa". Isto significa que a harmonia, expressa pela boa música, acelera nossas vibrações, permitindo-nos sentimentos de acesso espiritual a dimensões que não conseguimos alcançar comumente.

"Este sentimento existe em certo grau, mas desenvolve-se sob a ação de um sentimento similar mais elevado. Aquele que esteja desprovido de tal sentimento é conduzido gradativamente a adquiri-lo, acaba deixando-se penetrar por ele e arrastar ao mundo ideal, onde esquece, por instantes, os prazeres inferiores que prefere à divina harmonia".

Podemos refletir aqui o poder e a responsabilidade que possui um artista espiritualizado e consciente, pois que lhe é dado arrebatar, pela emoção superior, as almas dos homens às alturas das esferas transcendentes, assim como ele próprio pela mesma música é arrebatado.

A música reflete a alma do compositor

Rossini lembra que se considerarmos que a harmonia sai do concerto do espírito, podemos deduzir que a música exerce salutar influência sobre a alma (que é, em verdade, o espírito encarnado) e a alma que a concebe também exerce influência sobre a música. Há uma simbiose entre o artista e sua obra, uma vez que eles se confundem no resultado final. "A alma virtuosa, que nutre a paixão do bem, do belo, do grandioso e que adquiriu harmonia, produzirá obras-primas capazes de penetrar as mais endurecidas almas e de comovê-las. Se o compositor é terra-a-terra, como poderá exprimir a virtude de que desdenha, o belo que ignora e o grandioso que não compreende? Suas composições refletirão seus gostos sensuais, sua leviandade, sua negligência. Serão, ora licenciosas, ora obscenas, ora cômicas, ora burlescas, comunicando aos ouvintes os sentimentos que exprimem e os perverterão, em vez de melhorá-los".

Essa dissertação nos faz meditar que é melhor termos mais cuidado com o nosso cardápio musical, muitas vezes digerido, involuntariamente, por coação dos meios de comunicação alienadores. É bom perguntar: em que tipo de música andamos refletindo os nossos gostos íntimos?

Fonte: Estudo intitulado "Música Espírita", contido no livro Obras Póstumas, de Allan Kardec