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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Autoconhecimento

Por Rosemeire Zago

Sofremos muitas vezes por comportamentos aprendidos como corretos em uma época de nossa vida em que não tínhamos discernimento para escolher. Todos sabem que a formação que a criança recebe na infância influencia toda sua vida. Atos, opiniões sobre religião, costumes, moral, preconceitos, regras de conduta, princípios, que variam culturalmente, de família para família, e interiormente, de criança para criança, tudo vai se modelando e se delineando, sem sequer analisarmos quando adultos se ainda continuam a ter algum valor, mantendo o mesmo pensamento e valores, das quais sentimos muita dificuldade em nos libertar. Apenas continuamos a repeti-los, e sofremos por verdades que permitimos se tornarem absolutas, mas quando as analisamos descobrimos que jamais foram as nossas verdades. E ainda assim, quando conscientes disso, permanecemos estagnados.

Se não houver preocupação em erradicar os velhos padrões ou crenças inadequadas ao nosso mundo interior, corremos o risco de viver sob as condições do que nos ensinaram que é correto, mas que nada nos vale em nossa própria vida, só nos causando conflitos, sofrimento e prisões, da qual somente nós mesmos podemos nos libertar.


Ao longo da vida, acumulamos crenças a respeito de nós mesmos e do mundo. Essas crenças passam a agir automaticamente, ou seja, sequer percebemos que determinam nossas escolhas e reações. As crenças que desenvolvemos a partir das lições que aprendemos têm seu aspecto positivo quando funcionam como princípios que nos proporcionem crescimento. O aspecto negativo é quando nos fixamos em algumas delas e nos recusamos a refletir e mudar.

Se não perceber que está sendo conduzido por crenças, é pouco provável que consiga mudar. Como mudar o que não conhecemos e entendemos? Apenas quando nos tornamos conscientes de verdades que não são nossas e da necessidade de mudar, é que podemos nos libertar.

Para mudar padrões de pensamentos e comportamentos de uma vida inteira, temos que nos predispor a conhecer e compreender o que sentimos. É quando começamos a crescer, pois o mesmo só acontece quando nos tornamos conscientes do que sentimos. Algumas pessoas insistem em dizer que se conhecem, talvez se conheçam superficialmente. Quando alguém resiste a mudar, nos faz pensar que na verdade elas não compreendem a si mesmas o suficiente para perceber o quanto uma ou mais mudanças são necessárias.


O processo da psicoterapia ainda é o mais indicado para o processo de autoconhecimento. Mas o preconceito ainda existe. As justificativas, ou melhor, resistências, são muitas:
não preciso de ajuda; não quero lembrar do que aparentemente está esquecido e enterrado; para que explorar o que já passou, entre tantas outras. Todas essas justificativas só demonstram o quanto a falta de conhecimento dos fatos ocorridos no passado podem ainda estar influenciando sua vida no momento presente. É preciso entender os acontecimentos do passado para identificar o quanto ainda estão vivos e ativos no inconsciente. Viver presos a crenças faz com que vivamos no passado, assim, a recusa em examinar o passado pode nos manter ainda mais preso a ele. Só quando examinamos as crenças que ainda nos aprisionam e nos impede de agir é que conseguimos ficar livres para o novo e viver o momento presente. Mas é comum não querer se conhecer porque isso significa ter que examinar não só o passado, mas tudo aquilo que está bem dentro de nós, e tememos o que podemos encontrar, escolhendo assim a estagnação, por medo, comodismo, ignorância, orgulho, em detrimento ao crescimento. O crescimento exige que nos preparemos para ouvir a nós mesmos e estarmos dispostos a lidar com que encontrarmos, e para isso é preciso querer!

Algumas perguntas que poderá fazer a si mesmo para identificar quais crenças e valores afetam sua vida:
- Qual o grau de influência da opinião de outras pessoas sobre meus atos?
- Quais crenças cooperam para meu bem-estar interior?
- O que me dificulta ter suficiente autonomia para tomar minhas próprias decisões?
- Espero o reconhecimento de alguém por aquilo que realizo e conquisto? Quem?
- O que me impede de ter uma vida mais feliz?
- Tenho o hábito de perguntar sobre o que devo fazer para outras pessoas? Quem?
- Os conceitos que carrego dentro de mim, ou seja, aquilo em que acredito, aumenta ou diminui minha autoconfiança?

Quando identificamos e conseguimos nos desfazer das crenças inadequadas, morre em nos tudo aquilo que é velho, e passamos a reformular ou remodelar novos caminhos, agora de acordo com nossos próprios desejos e valores, o que nos dá a sensação de estamos verdadeiramente libertos!

Por que não sermos mais humildes e aceitarmos que a maneira com que lidamos com as situações está nos fazendo sofrer? Humildade não tem nada haver com submissão, inferioridade, como muitos acreditam. No entanto, está associada a gentileza, simplicidade, lucidez. Somos humildes quando percebemos que ainda temos muito que aprender, por mais informações que tenhamos, por mais livros que lemos, por mais viagens que fizemos, por mais experiências que adquirimos no decorrer dos anos. É importante lembrar que humildade não é passividade, muito pelo contrário, exige acima de tudo confiança em si mesmo.
Somente quem tem plena consciência do seu valor pessoal é que não precisa se exaltar.

O autoconhecimento é a capacidade que nos permite perceber, de forma gradativa, tudo que necessitamos transformar. Por isso sua importância! Não precisamos ter medo de nos conhecer, como se isso fosse um fardo do qual não podemos nos livrar, muito pelo contrário; ter maior percepção de si mesmo é o que nos capacita a mudar tudo aquilo que nos faz mal ou nos causa conflito e sofrimento, ampliando nossa consciência sobre nossos potenciais adormecidos, a fim de que possamos vir a ser aquilo que somos em essência. E isso é simplesmente fantástico!!!

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terça-feira, 14 de junho de 2011

Não se culpe tanto assim! ( leia, cure-se!)


Por Rosemeire Zago
Se pegarmos uma criança de três anos, colocarmos no meio da sala e gritarmos com ela, dizendo-lhe que é feia, que não faz nada direito, ignorarmos seus sentimentos, terminaríamos com uma criancinha assustada, sentada no canto da sala, quieta ou gritando e batendo em tudo. Ela agirá de uma dessas duas maneiras e nunca saberemos qual é seu verdadeiro potencial.

Agora, se pegarmos a mesma criança e lhe dissermos o quanto a amamos, o quanto nos importamos com ela, que é bonita, que ela pode cometer erros enquanto aprende, que estaremos sempre ao seu lado nas horas boas e ruins, o potencial dessa criança será ilimitado.

Você agora deve estar pensando que está lendo um artigo de psicologia infantil, mas enganou-se. É sobre você mesmo que estou falando. Cada um de nós tem uma criança de três anos em seu interior e com freqüência passa a maior parte da vida gritando com ela. Depois ficamos tentando entender porque nada dá certo em nossa vida.

Se você tivesse alguém que o criticasse o tempo todo, gostaria de estar sempre ao seu lado? Com certeza não! Pode ser que você tenha sido tratado dessa forma quando criança, sendo sempre criticado, tendo que reprimir seus sentimentos e isso é muito triste. Ou ainda, te trataram bem, mas sempre te comparavam a outra criança que você devia seguir como exemplo, ou ainda, te cobravam muito, cobravam notas, comportamentos, atitudes, tudo diferente do que fazia e principalmente, do que sentia, ficando sempre a sensação de que tudo que fazia era errado.

No entanto, isso aconteceu há muito tempo, mas é possível que mesmo não tendo ninguém que o trate dessa forma, você passou a se tratar assim até hoje, sempre se criticando, acreditando que o que faz, fala e sente está errado. Muitas vezes sentindo-se mal, angustiado, detestando-se a si mesmo, punindo-se sempre. Acreditando que seu maior erro foi ter nascido, pois mesmo adulto se sente ainda fazendo tudo errado.

Será mesmo? Será que você não ficou preso a um passado que tanto machucou, mas que não consegue se libertar? É possível que os sentimentos permaneçam, como se acontecessem no tempo presente. Sendo assim, sua auto-estima fica lá embaixo e a culpa lá em cima. Se o passado te machuca ainda, procure se desprender dessas lembranças que te machucam tanto. Deixe tudo no lugar dele: no passado.

Quando não nos aceitamos, não nos amamos, em geral é por nos sentirmos culpados por algo e indignos de qualquer sentimento positivo. Pessoas com esses sentimentos vivem se culpando nas mais diversas situações e pelos mais diferentes motivos. Culpam-se pelo que fazem, deixam de fazer, pelo que pensam e até pelo que sentem. E isso faz muito mal.

Muitas vezes abdicamos de coisas valiosas para nós, como se nos puníssemos de uma culpa inconsciente, com origem em alguma época de nossa vida. Afinal, para que fazermos algo que nos dê prazer, alegria, satisfação se nos sentimos tão sem valor? Como se o fato de estar feliz, fazer o que se gosta, buscar o que se acredita fosse pura "perda de tempo". Tudo o que diverte e dá prazer é considerado errado para quem se sente culpado. É como se tivesse uma voz soando lá no fundo, sempre dizendo: "você não merece, você não é capaz". Cada vez que ouvir isso dentro de você, reaja e pense: "Eu sou capaz, sim!".

Passamos então a viver em função dos outros, seja pai, mãe, marido, esposa, filhos etc. Tentamos agradar a todos, como que para provar a nós mesmos que temos algo de bom para dar. Sempre esperando que alguém reconheça nosso valor e nos faça acreditar que somos importantes. Como se o reconhecimento dessas pessoas sobre o que você faz de bom fosse o suficiente para torná-lo bom o bastante para que alguém o ame e o aceite. E quando não há o reconhecimento de alguém, surge a insatisfação, frustração e, novamente, a culpa e a certeza de não se ter nada de bom a oferecer. Com isso o tempo passa e deixamos de lado nossa própria vida, nossas vontades, nossos desejos e sonhos.

O que falta na verdade é aprender a reconhecer o seu próprio valor, acreditar que pode mudar o que te faz sofrer e se libertar de um passado que tanto machuca, aprisiona e que compromete o relacionamento atual. É preciso se libertar da necessidade de ser aprovado, reconhecido por pessoas que talvez nunca serão capazes de te dar o que precisa, mas você pode se dar o que ninguém talvez seja capaz: seu próprio amor. Pense nisso!


Ecologia da Alma - http://cncvivendocomalegria.blogspot.com/2009/07/nao-se-culpe-tanto-assim.html